À medida que ela ia falando, eu ia-te perdendo o gosto, as memórias, os tempos.. ia perdendo quase tudo. Na verdade, acho que todos os dias perco sempre um pouco. Aqui, ali... sempre mais um bocadinho. nunca consegui aceitar que tu não estás mais aqui, ou que não vais estar presente no dia em que eu me casar, ou no dia em que tiver o primeiro filho, caso aconteça, claro. Só agora é que estou a olhar para o telemóvel, e na verdade, há quatro anos que toca, há quatro anos que não és tu. Há anos que me tornei uma revoltada por natureza, há anos que perdi o gosto de menina doce, obrigaste-me a crescer sem ti e sinceramente? Não gostei da sensação. Juntas, planeámos muita coisa, lembro-me de uma mensagem: quando acontecer, vais ser a primeira a saber e não fui. Chateia-me saber que foi outra gaja. Chateia-me a sério. chama-lhe o que quiseres, mas eu não consigo gostar dela por saber que fui trocada (no fundo é essa a palavra certa), que no fundo o que parecia uma patetice de crianças estragou tanta coisa na minha vida. Tenho saudades tuas, e isso, acho que nem uma boa noite de verão ou um bom dia de sol conseguem apagar. Qualquer coisa que aconteça na minha vida, desde entornar leite na minha camisola, ou um namorado, é de ti que eu me lembro, es tu a quem eu queria ligar a contar, nem que fosse pela mais pequena parvoice. habituei-me a ser parva contigo, caramba, tantas chamadas, tantas mensagens, tantas conversas... ainda me lembro daquela conversa. que tivemos na nossa velhinha escola (que apesar de ser uma m-e-r-d-a, é de lá que guardo as NOSSAS recordações), em que me disseste podemos voltar a ser amigas, mas nunca mais será o mesmo, e nunca mais foi. Não porque fosse impossivel, ou por o que aconteceu, ate porque o que aconteceu, para alem de ter sido uma patetice, nao foi entre nós. Foi pior. a Joana, a minha Joana, foi embora..
a palavra "morreu" é muito forte, e não a posso usar, porque não aconteceu fisicamente e porque, caso acontecesse, mais de metade de mim morria contigo. Mas a minha Joana não és tu. è aquela que ficou lá naquela escola, naquelas mensagens, naquelas cartas, naqueles telefonemas, naqueles abraços... A pessoa que vou vendo hoje em dia na rua, não me é nada, não me é ninguém e não me faz falta. Não digo que não me magoe o coração ver-te, ate porque os teus olhos são os mesmos, mas do que és hoje, não tenho saudades nenhumas. tenho saudades de nós, talvez... tenho saudades de ti, tenho saudades que sejas a minha melhor amiga, não tenho saudades que sejas minha irmã porque isso, vais ser sempre e eu a ti vou levar-te ate ao dia em que fechar os olhos pela ultima vez, aqui, trancada no peito.